sexta-feira, 1 de abril de 2011

DESCREVER, COMPARAR E ANALISAR A ESCOLA TECNICISTA E ESCOLA CRÍTICA.

A Escola Tecnicista tem uma visão mercadológica de homem, ou seja, o homem é uma coisa, uma engrenagem numa grande máquina social. Esta escola liberta o homem da eficiência e privilegia o técnico. O centro do processo é o meio.
Originou-se, segundo Gadotti, em meados do século XX. É inspirada na teoria Behavionista e na abordagem sistêmica do ensino. Parte do pressuposto da neutralidade científica.
Na educação tem preponderância dos aspectos organizacionais do sistema de ensino voltada para a racionalidade, e produtividade do ensino. O professor é um técnico considerando o aluno um “recurso humano”. Este deve atingir objetivos que são geralmente classificados em gerais e específicos, sendo operacionalizados, realizados na prática. Seu conteúdo é qualquer um devendo ser estruturado de acordo com os objetivos. A metodologia deve ser o de aprender a fazer. Quanto à avaliação da ênfase no processo e no produto.
É um currículo proposto para a transmissão de conteúdos, como vimos, e de desenvolvimento de habilidades a serviço do sistema de produção.
Segundo Libânio, Parte-se de um currículo previamente prescrito por especialistas que, a partir de critérios científicos e técnicos, formulam objetivos e conteúdos, padrões de desempenho, habilidades considerados úteis e desejados pela sociedade. Medologicamente caracteriza-se pela introdução de técnicas mais refinadas de transmissão, incluindo hoje, os computadores, as mídias. Diferentemente do cunho acadêmico do currículo tradicional, o currículo racional tecnológico (tecnicista) se firma na racionalidade técnica e instrumental, visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico.
Definido por especialistas, o currículo tecnicista não precisa ser discutido e elaborado pelos agentes diretos da educação. A escola não discute sobre “o que ensinar”, ele cuida apenas de “como”, isto é, busca eficiência em função dos produtos da aprendizagem, com o menor custo. Esta corrente tem sido denominada, também de Tecnicismo educacional, identificando ensino com métodos e tecnologias educativas, liberadas de qualquer consideraçãio em torno de finalidades, valores. Atualmente, uma derivação dessa concisão é currículo por competências, em que a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação. A crítica que se faz a esse tipo de currículo é a sua definição muito estreita de competência, apenas restrita ao saber-fazer, sem acentuar os saberes, as atitudes e os processos cognitivos.
A tendência Crítica pensa a educação no contexto, inserida no todo. Convergem na concepção de ensino como compreensão da realidade para transformá-la, visando a construção de novas relações sociais, de modo a eliminar as mazelas sociais existentes como a pobreza, a violência, o desemprego, a destruição do meio ambiente, enfim, as desigualdades sociais e econômicas.
Segundo Libânio considera o currículo oculto e do contexto da ação educativa nos processos de ensino e aprendizagem, inclusive para submeter os conteúdos a uma análise ideológica e política. Metodologicamente, adere à idéia de aprendizagem como construção do sujeito, da compreensão do conhecimento como ligado à prática e à solução de problemas. Junto com os requisitos de se ajudar o aluno a adquirir autonomia de pensamento, destaca-se a importância da responsabilidade social e da busca do interesse coletivo. Defendem ainda, um tipo de currículo mais informal centrado na valorização de elementos casuais, fortuitos, da convivência social na escola, minimizando ou até recusando um currículo formal.
Esta escola no Brasil consolida-se na década de 80, fundamentando-se na matriz dialética. Na educação preponderância os aspectos pedagógicos de propostas voltadas para os interesses da maioria da população. Ao professor figura-se numa postura de autoridade competente que conduz o processo ensino-aprendizagem valorizando o ensino crítico dos conteúdos como meio de instrumentação. O aluno é uma pessoa concreta.
Ressalta-se ainda que os conteúdos são selecionados a partir da cultura, ciências, arte, política, história. São instrumentos de luta para transformação social. A avaliação é voltada para o domínio crítico dos conteúdos, formação da cidadania e transformação da realidade. A escola é bem organizada, devendo funcionar em seus múltiplos aspectos.
Entre os maiores críticos encontram-se Louis Althusser e os sociólogos Pirre Bourdieu e Jean Claude Passeron.
Para Bourdieu e Passeron a cultura das classes superiores estaria tão próxima da cultura da escola que a criança originária de um meio social inferior não poderia adquirir senão a formação cultural que é dada aos filhos da classe culta. Portanto, para uns, a aprendizagem da cultura escolar é uma conquista duramente obtida para outros, é uma herança normal que inclui a reprodução das normas. O caminho a percorrer é diferente, conforme a classe de origem.
Althusser sustentou que a função própria da escola capitalista consistiria na reprodução da sociedade e que toda ação pedagógica seria uma imposição arbitrária da cultura das classes dominantes. A dupla escola-família substitui o binômio igreja-família como aparelho ideológico dominante. Afinal é a escola que tem durante muitos anos uma audiência obrigatória.


Christianne nery

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