sexta-feira, 1 de abril de 2011

Referenciais Para a Formação de Professores


A obra, dirigida a educadores e outros profissionais da área, apresenta um quadro teórico abrangente para embasar a reflexão e discussão necessária e significativa na reconstrução das políticas curriculares. Os Referenciais dão início ao debate sobre a formação docente e a educação continuada.
Seu objetivo principal é fazer com que todos os profissionais saibam fazer análises, estabelecer relações, levantar hipóteses.
A formação de professores significa repensar nos cursos e currículos de formação inicial e investir em ações para melhorar a prática dos professores em exercício na sala de aula. Para isto o MEC elaborou em meados dos anos 97 a 99 alguns documentos entre estes os Referenciais para a Formação de Professores que mostram a necessidade de mudanças na formação dos professores, proporcionando o desenvolvimento de competências profissionais para atender novas concepções da educação escolar e do papel do professor. Eles redefinem os âmbitos do conhecimento profissional, a metodologia necessária para desenvolvê-los, além de trazerem orientações para que as escolas de formação organizem seus currículos e para que as secretarias de educação desenvolvam seus trabalhos de formação continuada. A formação de professores passa a ser definida pelo trabalho do professor, das questões que enfrenta efetivamente na sua atuação profissional.
Segundo os Referenciais a formação de professores para atuarem na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental deve ser feita em cursos de nível superior com o objetivo de promover a formação geral dos futuros professores de educação básica, favorecer o conhecimento e o domínio dos conteúdos específicos ensinados nas diversas etapas da educação básica e das metodologias e tecnologias a eles associados, bem como desenvolver habilidades para a condução dos demais aspectos inerentes ao trabalho coletivo da escola.
Para auxiliar os educadores, os Referenciais abordam os seguintes temas: organização da educação básica, questões curriculares e qualidade da educação, parâmetros curriculares nacionais, concepções norteadoras e a formação de professores.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para o ensino fundamental incluem além das áreas curriculares clássicas, o tratamento de questões da sociedade brasileira, como as ligadas à ética, meio ambiente, orientação sexual, pluralidade cultural, saúde, trabalho e consumo entre outros. Com eles, os professores aprendem a dar aulas mais dinâmicas, relacionadas à realidade do aluno e diferentes da prática livresca.
Os PCN tem como objetivo o desenvolvimento de programas de formação continuada no interior das escolas, incentivando o estudo em grupo, a troca de experiência, o trabalho em equipe e a articulação da teoria e prática pedagógica.
A organização da educação básica visa a qualidade do ensino nas escolas públicas, assegurando que a educação no país possa atuar de forma decisiva no processo de construção e de exercício da cidadania, sem, contudo deixar de valorizar a formação do Magistério, uma vez que os docentes constituem o centro de todo o processo educacional.
Quanto à proposta educativa dos Referenciais de educação infantil enfatiza a construção da identidade, autonomia da criança e o seu conhecimento de mundo.
Outro fator a ser observado é quanto ao desenvolvimento das competências como princípio para a atividade profissional. Elas permitem a mobilização de um conhecimento contextualizado e de prática adaptada para a realidade do aluno. A dimensão do currículo passa a ser um elemento fundamental na seleção dos conteúdos para o desenvolvimento das competências na formação docente. Nesta perspectiva, a contribuição a ser demandada das disciplinas deriva da análise da atuação profissional que segundo os referenciais deverá ser pautada no que vier a contribuir para o “fazer melhor” do ponto de vista profissional.
A flexibilidade por competência do currículo pretende considerar e respeitar as diferenças na formação de cada professor. Visa ainda atender a uma nova forma de organização do conhecimento, instituindo ações de formação voltadas a modularização do ensino, ao aprender a aprender.
Há pontos entre as competências que todo o profissional deve estar apto a desenvolver de acordo com os Referenciais: crescer profissionalmente, conhecer a realidade econômica, cultural, política e social do país (leitura de jornais e revistas), participar do desenvolvimento e da avaliação do projeto educativo da escola, escolher didáticas que promovam a aprendizagem de todos os alunos, compreender que seu trabalho não é um sacerdócio, mas uma profissão de verdade e a utilização de diferentes estratégias de avaliação.
A adoção das competências no currículo da formação objetiva, portanto que se organize o processo de ensino e aprendizagem em função delas, exigindo uma outra lógica para o curso que parte da idéia de perfil profissional projetado.
Nos Referenciais o estabelecimento de relações entre desempenho do professor e do aluno como discurso é ambíguo. Embora os Referenciais registrem a inconsistência dos estudos sobre a relação entre formação profissional do professor e aprendizagem do aluno, o documento aponta para a hipótese de que a formação de professor, embora não de forma exclusiva é condição para garantir uma aprendizagem escolar de melhor qualidade responsabilizando o professor pelo sucesso de seus alunos no desempenho educacional.
Quanto à avaliação ela deve passar pelo uso diversificado de procedimentos e processos de avaliação, assim como sua periodicidade e sistematização propondo a articulação entre conhecimentos e saberes de diferentes naturezas no exercício de suas funções e em situação contextualizada. O desempenho, mais que o conteúdo, pode ensinar na experiência.
Os Referenciais pretendem mais que um novo modelo brasileiro de profissionalização ou um novo processo de formação de professores, mas um novo tempo para a formação, no qual o próprio professor é responsabilizado por sua formação permanente em serviço.
Assim sendo, os referenciais para a formação de professores têm como finalidade orientar na formação de professores. Espera-se que com ele, sejam geradas reflexões por parte dos formadores de professores e seja usado no âmbito de gestão do sistema educativo e das instituições como subsídios para a tomada de decisões políticas. Eles refletem a temática que estão permeando o debate nacional e internacional de forma a construir um novo perfil profissional.
Caberá ao professor individualmente identificar melhor suas necessidades de formação e empreender o esforço necessário para realizar sua parcela de investimentos no próprio desenvolvimento profissional, pois ser profissional implica ser capaz de aprender sempre. O educador precisa saber que sua formação é permanente.

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