sexta-feira, 19 de outubro de 2012


A Contribuição dos Materiais Lógicos Concretos na Disciplina da Matemática (Blocos lógicos), para os Primeiros Ciclos do Ensino Fundamental.



“Jogos ou brinquedos Pedagógicos são desenvolvidos com a intenção explicita de provocar uma aprendizagem significativa, estimular a construção de um novo conhecimento e principalmente, despertar o desenvolvimento de uma habilidade operatória”.
Celso Antunes.
RESUMO
Os Blocos Lógicos são materiais lógicos concretos que norteiam o ensino-aprendizagem de uma forma prazerosa e diferenciada, estimulando a lógica matemática, a observação, à sequência e seriação, percepção, aspectos motores e sociais, contribuindo para ações reflexivas e empíricas, levando a criança a novas descobertas.
Já nas primeiras semanas de aplicação desses materiais, percebemos que nossos alunos tornam-se mais questionadores e impulsivos, aceitando com maior interesse a disciplina da Matemática.
Os Blocos Lógicos demonstram que em manuseá-lo instiga habilidades operatórias dependendo de como o professor irá trabalhar regras e fundamentos. Portanto deve-se ter um preparo significativo para dar as crianças à oportunidade de desenvolvimento.
Esses materiais não vão ensinar a matemática como resolução de contas, mas vão dar uma base, principalmente nos primeiros ciclos, para que as crianças construam o raciocínio lógico, através das abstrações empíricas e reflexivas.
As crianças utilizam para relacionar objetos e realizar os primeiros arranjos lógicos, a percepção comparativa de observar as semelhanças e separar as diferenças. Elas só sabem distinguir as formas porque há outros objetos diferentes ou semelhantes que façam com que o seu universo ordene e classifique segundo os seus atributos.
Na aplicação desse material, observamos ainda os seguintes pressupostos: a criança deve conhecer o material, brincar livremente, jogar com regras, perceber propriedades, fazer representações, generalizar, interiorizar conceitos, relacionar conteúdos.

1 – INTRODUÇÃO
         A maioria dos professores desconhece métodos diferenciados para desenvolverem a aprendizagem da matemática de maneira significativa.
         Este diagnóstico foi obtido pela pesquisa realizada com a aplicação de um questionário aplicado na Instituição Aldeias Infantis SOS Brasil Aldeia SOS de Poá 1 com professores capacitados para lecionarem várias disciplinas, entre elas a matemática como reforço escolar, para crianças na faixa etária de 7 a 9 anos. Essa dificuldade da aprendizagem nesta disciplina apresentada por parte dos alunos e o despreparo dos professores em proporcionar jogos e brincadeiras pedagógicas que facilitem o processo ensino-aprendizagem são uma problemática relevante e vital para as questões educacionais e devem ser analisadas.
         Tendo em vista esta problemática com um desinteresse contínuo no processo ensino/aprendizagem, torna-se necessário buscarmos algo eficaz que estimule tanto alunos como educadores. Os materiais sólidos lógicos, entre eles, os Blocos Lógicos, podem contribuir nesses aspectos, uma alternativa diferenciada da construção do conhecimento lógico, em contato com o jogo.
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1-       Hoje, as Aldeias Infantis SOS Brasil são responsáveis por mais de 3700 crianças que são criadas em um lar e em família, com uma mãe e irmãos, recebendo educação. São 14 Aldeias distribuídas por 10 Estados Brasileiros. Um trabalho sério, que constrói laços afetivos e estimula milhares de crianças a crescerem e a se desenvolverem, oferecendo-lhes a possibilidades de uma vida digna e produtiva.


Os Blocos Lógicos em manuseá-lo, propõe estratégias e visa a compreensão da disciplina da matemática respondendo aos anseios e perspectivas da criança desenvolvendo a autonomia, coordenação, a lógica matemática, a classificação, ordenação, a correspondência, generalização, as propriedades e as representações.
Agindo sobre os Blocos Lógicos, a criança descobre caminhos lógico-matemáticos e chegam as suas próprias conclusões.  Esse agir como pegar, ver, comparar e relacionar com outros materiais estabelecem relações envolvendo tamanho e forma, posição, quantidade, espessura fazendo a criança jogar aprendendo além de perceber-se, como ser integrante e essencial ao ensino-aprendizagem.
Pela construção dos Blocos Lógicos, os profissionais da área da educação devem encontrar, não só brincadeiras, mas atividades de observações, de estimulação, da percepção e dos aspectos motores e sociais. Esses materiais vão contribuir, principalmente para ações reflexivas e empíricas, dando à criança o prazer da descoberta, proporcionando uma educação voltada para um ser que constrói coletivamente na interação com o outro e com a cultura, cuja capacidade de pensar está ligada ao de imaginar e jogar com a realidade.
Além de trabalhar com a operação de classificação e consequentemente contribuírem para o raciocínio lógico matemático, esses materiais conseguem ótimos resultados nas disciplinas, não só da matemática, como também em atividades práticas de educação física, artes e português com produção e interpretação de textos.



Esses aspectos podem ser notados já nas primeiras semanas de aplicação dos Blocos Lógicos. Observa-se que os alunos tornam-se mais abertos, questionadores e mais impulsivos a aprendizagem desta disciplina. Ao dividirmos os conteúdos entre esses materiais, tornam-se também mais receptivos, aceitando com maior interesse as aulas de matemática que antes era para eles, em sua maioria, um grande tormento.
Ao termino das aulas, deveram saber conceituar os Blocos Lógicos e classificar segundo seus atributos. Pode-se perceber, no entanto, que sem a interação social, sem uma abstração reflexiva e empírica, ela não poderá construir, nem a lógica e nem os seus valores sociais, morais e científicos. Elas precisam de um contato físico (empírico) para observar e identificar mais rapidamente os atributos de cada Bloco Lógico. Este ponto de partida lógico matemático está na percepção comparativa de objetos, discriminando suas semelhanças e diferenças, realizando assim os primeiros arranjos lógicos.
Portanto com a aplicação dos materiais sólidos lógicos é constatado que as crianças aprendem, busca soluções para uma situação proposta, cooperando para a resolução de problemas.
Devemos proporcionar metodologias diferenciadas às crianças, buscando sempre a realidade com o conteúdo. Abstrair reflexivamente é formar seres pensantes e os Blocos Lógicos podem proporcionar essa oportunidade.

“O jogo é um tipo de atividade particularmente poderosa para o exercício da vida social e da atividade construtiva da criança. A crescente capacidade de jogar em grupo é uma conquista cognitiva e social de grande importância, que deve ser encorajada antes dos cinco anos e estimulada depois dessa idade”.
KISHIMOTO (1994:14).
Considerações sobre os Blocos Lógicos
2.1. Conceito:
     Os Blocos Lógicos são peças geométricas e compõe-se de 48 blocos e tem-se a possibilidade de criar várias construções. Através de experimentações, a criança desenvolve relações lógicas, que são de suma importância para a formação de conceitos em matemática.
     Os Blocos Lógicos possuem as seguintes variáveis: Forma, Tamanho, Espessura e cor.
     Cada peça pode, por exemplo, ser classificada segundo seus atributos e através de experimentações, a criança desenvolve relações lógicas, que são de suma importância para a formação de conceitos em matemática. Podem-se estabelecer critérios que servirão como um estímulo interno para fazer a criança pensar. Existem várias sugestões de atividades que podem ser observadas.
2.2. Construtor:
     Os Blocos Lógicos foram criados na década de 50, pelo matemático Húngaro Zoltan Paul Dienes. Sendo um grande seguidor de Jean Piaget defendeu a ideia de abstração Empírica para depois a abstração Reflexiva.
     O matemático é conhecido mundialmente por suas idéias para o ensino da matemática, sempre baseados em materiais concretos.
     Segundo suas pesquisas, a matemática passa por seis etapas distintas:
O jogo livre, o jogo com regras, jogos isomorfos, descoberta de propriedades, generalizações, representações.
     O Jogo Livre permite que a criança conheça os atributos do material livremente e o seu desenvolvimento de outros esquemas, como o princípio combinatório. Em suma é levar a criança a desenvolver a Estrutura lógica da matemática.
O Jogo com Regras estabelece relações lógicas e desenvolve o raciocínio lógico.
Os Jogos Isomorfos levam a criança a transcender o imaginário. Segundo Vera Lúcia (2002)2   “esta parte do jogo é considerado o ponto máximo da aprendizagem descrita por Dienes. É a fase em que o aluno vai além do observado empiricamente. Do imediatamente sensível. A criança consegue estabelecer relações lógicas entre o conteúdo que está sendo estudado e, transcende-lo relacionando-o com conteúdos estudados anteriormente, fazendo conclusões e generalizações.”
A Descoberta de Propriedades é a fase em que a criança já identifica as propriedades contidas no jogo como, por exemplo, a seriação, ordenação, combinação, associação.
A Generalização é a fase da aprendizagem em que a criança interioriza os conceitos através de sucessivas abstrações reflexivas.
Por fim a Representação é a demonstração do que foi interiorizado pela criança. Representar por meio de material estruturado.
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2-    A professora Vera Lúcia R. Silva contribuiu com as pesquisas aqui demonstradas. Ela é professora mestra da Universidade Braz Cubas e produziu o Apostilado “Blocos Lógicos” em que esta pesquisa foi baseada contribuindo para o desenvolvimento do trabalho. Segundo a professora “a criança também precisa de estímulos para desenvolver habilidades como a da lógica matemática. Ao professor caberá apenas saber a psicologia, conhecer o conteúdo e aplicá-lo com afinco causando problematizações”.

A aprendizagem proposta por Dienes através da observação dessas fases, nos faz perceber que os materiais de Blocos Lógicos são altamente eficientes para a realização desse processo de ensino e aprendizagem. A criança terá a oportunidade de observação, classificação, estabelecer critérios, fazer análises chegando à lógica matemática.
Foram materiais descobertos para facilitar a aprendizagem e contribuir para o desenvolvimento lógico da criança e também uma alternativa eficaz para o professor.
Outro aspecto notório desses materiais é a cor (amarela, vermelho e azul) chamativa para a faixa etária antes dos cinco anos significando que essas crianças também podem ser estimuladas obtendo significativos resultados assim como, as da fase do operatório concreto. Este é um dos objetivos dos Blocos Lógicos/ estimular a lógica matemática antes dos 6 anos e depois deste, acelerando as habilidades cognitivas.

2.3 - Teóricos pesquisados
Como verificamos no tópico acima, os blocos são pequenas peças geométricas, criadas na década de 50 pelo matemático Húngaro Zoltan Paul Dienes. São bastante eficientes para que os alunos exercitem a lógica e evoluam no raciocínio abstrato. Segundo o seu próprio criador, uma criança entenderá melhor o número e a operação matemática se puder torná-los palpável.
De fato os Blocos Lógicos podem desenvolver o raciocínio abstrato e uma de suas funções é dar as crianças à chance de realizar as primeiras operações lógicas. Essas pesquisas tiveram como base os pressupostos de Jean Piaget. Ao apresentar os blocos lógicos as crianças, devem permitir que explorem livremente o material, sem se preocupar com os nomes e suas características, fazendo suas construções individualmente, como também em pequenos grupos.
De acordo com o PCN do ensino fundamental, na matemática não encontramos um caminho único na resolução de problemas. Nós como educadores, devemos encontrar recursos que façam das aulas algo prazeroso para os alunos. Um desses recursos são os jogos matemáticos, a construção dos materiais sólidos lógicos entre estes, os Blocos Lógicos.
Esses materiais sólidos lógicos (Blocos Lógicos) não vão ensinar a matemática como resolução de contas, mas vão dar uma base, principalmente nos primeiros ciclos, para que se construa um raciocínio lógico, através das abstrações empíricas e reflexivas. Segundo PIAGET (1975) “A criança não pode construir a relação de diferença entre os objetos se não puder observar as propriedades de diferença entre esses objetos”. No caso dos Blocos Lógicos, o conhecimento físico ocorre quando a criança pega observa e identifica os atributos de cada peça. A lógica matemática se dá quando ela usa esses atributos sem ter o material em mãos. Assim, deve-se trabalhar primeiramente o sistema de referência lógico-matemático, que será possível apenas, através da abstração reflexiva.
Nos Blocos Lógicos, observa-se que; nenhum fato pode ser isolado do conhecimento já construído numa forma organizada. Esse ponto de partida lógico matemático está segundo SILVA (2002) “na percepção comparativa de observar as semelhanças e diferenças que a criança poderá utilizá-las para relacionar objetos e realizar os primeiros arranjos lógicos”. As crianças só sabem distinguir as formas porque há outros objetos diferentes ou semelhantes que façam com que o seu universo ordene e classifique-os segundo seus atributos.
Para DIENES (1980), esses materiais permitem através da operação de classificação, o desenvolvimento das estruturas lógicas e o raciocínio lógico-matemático. É separar diferenças e juntar as semelhanças, contribuindo assim para que as crianças desenvolvam as suas estruturas cognitivas.
É comum ouvir de nossos educadores, a afirmação de que a disciplina da matemática é ensinada incorretamente. Por isso, deve-se ter uma postura construtivista, compreendendo os processos pelos quais as crianças passam para a construção de conceitos e conseqüentemente para o desenvolvimento de suas estruturas cognitivas. Caberá a estes, além do conhecimento científico e prático o uso adequado de uma psicologia diferenciada para o processo de ensino/aprendizagem. Pesquisar grandes teóricos é uma das melhores formas de estabelecermos uma conexão entre educadores X alunos. Por exemplo, Piaget estabelece que a criança passa por quatro estágios distintos no desenvolvimento das estruturas cognitivas:
ü SENSÓRIO-MOTOR (até mais ou menos 2 anos) : a criança baseia exclusivamente em percepções sensoriais e em esquemas motores para resolver seus problemas, se relacionar e conhecer outros seres humanos.
ü PRÉ-OPERATÓRIO (mais ou menos 2 anos a 5/6 anos) : estágio do pensamento intuitivo (sem lógica), são fracas em ordenar, explicar relações, compreender números e suas relações, compreendendo com precisão o que as outras pessoas falam e compreendem regras.
ü OPERATÓRIO-CONCRETO (mais ou menos 6/7 anos até 10/11 anos): quando é capaz de organizar as experiências num todo consistente, fazer juízo racional de suas experiências, classificar, agrupa, conservar, tornar reversíveis as operações que efetua sobre eles e pensar sobre um evento de diferentes perspectivas, simultaneamente.
ü OPERATÓRIO FORMAL OU LÓGICO HIPOTÉTICO DEDUTIVO (11/12 anos em diante): habilidade de usar abstrações, sendo capaz de pensar além do mundo real e presente. É passar para a maneira adulta de pensar. Pela 1ª vez os professores podem esperar que as percepções dos seus alunos se assemelhassem às suas próprias.
Esses estágios dão suporte aos educadores, no sentido de encontrar metodologias eficazes, refletindo sobre as faixas etárias do universo de seu trabalho, os materiais didáticos que vão compor em seu plano de ensino de acordo com as operações concretas e o conhecimento psíquico-pedagógico sobre a lógica matemática.
Deve-se ainda, ter noção do conhecimento físico e empírico, conhecimento lógico matemático ou reflexivo e conhecimento social. O conhecimento físico ou empírico refere-se ao conhecimento do objeto através das propriedades observadas. O conhecimento lógico matemático ou reflexivo é as relações estabelecidas pela mente do observador, entre elas: ser diferente, ser igual, ser parecido etc... O conhecimento social é: convenção arbitrária, a comunicação por nós combinados socialmente como os símbolos etc...
Segundo KAMI (1985) a criança não pode construir a relação de diferença se não puder observar as propriedades de diferença e semelhança entre os objetos e são os educadores os principais responsáveis por esta oportunidade. Nos Blocos Lógicos, deve-se trabalhar o sistema de referência lógico matemático nos primeiros ciclos do ensino fundamental, para que posteriormente tenha auto-suficiência reflexiva e conseqüentemente, a lógica matemática.
Outra observação está nos postulados do HUIZINGA defensor do jogo livre. Ele coloca a importância deste tipo de jogo para que a criança jogue compenetrada, algo fundamental para as primeiras atribuições dos Blocos Lógicos “ao postular a natureza livre do jogo, torna-se uma atividade voluntária e prazerosa onde a criança terá uma certa distância da vida cotidiana, entrando no mundo imaginário (jogo Isomorfo). O jogo, principalmente os de natureza pedagógica não podem ser imposto. Não se liga a interesses materiais imediatos, mas absorve a criança estabelecendo limites próprios de tempo e de espaço, cria a ordem e equilibra ritmo com harmonia”.
O professor Celso Antunes (2002) nos faz um alerta em relação à estimulação das inteligências que são múltiplas e devem ser estimuladas entre elas a lógica matemática que está associada à competência em desenvolver raciocínios dedutivos e em construir cadeias casuais e lidar com números e outros símbolos matemáticos, se expressando no engenheiro, mas sobretudo no físico e nos grandes matemáticos.
     Faz uma importante observação em relação aos materiais pedagógicos que despertam interesse dos alunos passando a ser uma ferramenta ideal no processo de aprendizagem e um gerador de situações estimuladoras e eficazes para o professor.
É neste contexto que podemos analisar Os Blocos Lógicos e sua eficiência em ajudar as crianças a construírem conhecimentos desenvolvendo e enriquecendo sua personalidade simbolizando um instrumento pedagógico que leva o professor à condição de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem. É por este motivo que um jogo deve ter um preparo específico ao ser manuseado pelos professores para que não se tornem meras brincadeiras em que a criança sairá apenas reprodutora. Quem traça caminhos são os educadores para que a criança alcance o seu conhecimento.
Observando a preocupação em relação à de oferecer oportunidades para que a criança se desenvolva através de estímulos, vale ressaltar a grande contribuição que Emile DURKHEIM nos deixou como reflexão “a educação é um esforço contínuo para preparar as crianças para a vida em comum e para isto é necessário impor a elas, maneiras adequadas de ver, sentir e agir, ás quais elas não chegariam espontaneamente”. Nada mais pertinente, que mostrarmos que os jogos Pedagógicos entre eles, os Blocos Lógicos se jogados em grupo levará a criança a enxergar o outro e poderá fazê-la perceber-se como parte integrante e importante para a sociedade. Talvez seja exagero, mas os jogos possuem também esta finalidade, basta apenas interagirmos com outras disciplinas como as humanas Geografia e História .
Trabalhar com os Blocos Lógicos requer um preparo antecipado do professor, sem dúvida é preciso termos em mente que objetivos deveremos alcançar. Mas, é importante não esquecermos que apesar de termos um planejamento em mãos de como aplicarmos os jogos como material pedagógico uma das maiores dificuldades que iremos encontrar é aplicarmos a teoria à prática.
Paulo Freire (1975) ressalta a grande importância à educação, sustentada por uma concepção dialética em que educador e educando aprendem juntos numa relação dinâmica na qual a prática, orientada pela teoria, reorienta essa teoria, num processo de constante aperfeiçoamento.
Esta observação se faz necessária para que os Blocos Lógicos não sejam apenas um jogo lúdico, mas pedagógico com caráter científico caso ao contrário, não terá nenhuma finalidade aplicarmos esses materiais para a construção da lógica matemática, só estaremos contribuindo para a reprodução matemática  do aluno  e a didática mecânica do professor e esse não é o objetivo. Segundo MONTESSORI (2000) “a professora deve dedicar-se à formação de uma humanidade melhor assim como vestal da chama da vida interior em toda a sua pureza. Se esta chama não for cuidada, haverá de se apagar para nunca mais voltar a arder”. Assim também é o conhecimento que jamais poderá ser apagado por aqueles que o procura como as nossas crianças. Assim também são os professores que buscam o aperfeiçoamento de seus conhecimentos. Estas chamas devem sempre estar acessa.
Não se trata, portanto, de colocarmos o professor como o centro do processo, ao contrário, ele deve rever suas atitudes em sala de aula para que não se preocupe em apenas cumprir os conteúdos. É necessário ao aplicarmos um trabalho com os Blocos Lógicos, estarmos cientes que os resultados não virão rápidos. Devemos ter paciência em ministrar esse material.
Assim, devemos ministrar também, com amor, carinho e dedicação esse tipo de atividade. Rubem Alves cita: “...é preciso reaprender a linguagem do amor, das coisas belas e das coisas boas, para que o corpo se levante e se disponha a lutar. Como professores temos uma luta constante, amar o que fazemos e acima de tudo amar para quem fazemos”.
 Primordialmente, os jogos devem ser aplicados conhecendo-se a realidade do aluno. Esta é uma educação voltada para atingirmos potencialidades e verificarmos que os erros são os acertos de amanha. Daí a necessidade de buscarmos uma educação autônoma, democrática que visa metas, ações. FREINET (1989) coloca a necessidade de uma educação crítica. O professor para ele, só educará compreendendo o contexto em que o aluno se encere. Ele precisa saber da sua vida, seu modo de viver e sobreviver para o alcance de suas potencialidades.
Ao lado de Freinet, temos HENRY WALLON (In Gadotti-2000). Com suas teorias podemos verificar o quanto o jogo pode servir como interação social. Que a criança precisa viver em grupo para que aprenda regras, respeite a si mesmo e ao outro. Se sinta parte integrante e importante da sociedade em que vive. É a interação social.
WALLON também outorga a importância à formação do professor. Ele precisa de didática, ou seja, conhecer o, conteúdo, de uma psicologia, para que entenda melhor a necessidade da criança, sua fase operatória e operatório-concreta e de criatividade para que as atividades não se tornem obrigações que devem ser cumpridas. Isto lhe permitirá tirar lições das experiências pedagógicas que ele mesmo realize.
Portanto, esses pressupostos, contribuirão para que a criança conheça os atributos do material dos blocos lógicos e desenvolva o raciocínio lógico matemático. Ao professor, caberá atualizar sua metodologia. Deve preocupar-se muito mais em saber sobre como a criança aprende do que como deve ensinar. Essa adaptação torna o aprendiz em sujeito ativo do processo.
LOPES (2001) afirma que a criança de hoje é extremamente questionadora, não engole os conteúdos despejados sobre ela sem saber por que, ou principalmente, para quê. É a lógica da matemática dando os seus primeiros passos.

  Trabalhando Com os Blocos Lógicos
3.1- Questões Orientadoras
         Ao apresentar os blocos lógicos às crianças, deve-se permitir que elas explorassem livremente o material, sem se preocupar com os nomes e características, fazendo suas construções individualmente, como também em pequenos grupos.
         Agindo sobre o material, a criança descobre caminhos lógico-matemáticos e chega às suas próprias conclusões. Esse agir seria: pegar, ver, comparar e relacionar com outros materiais, estimar, estabelecer relações envolvendo tamanho, forma, posição, quantidade e espessura, perguntar, errar e reconstruir.
         Depois da criança brincar com os blocos lógicos o tempo suficiente de conhecer e captar todos os atributos acima citados poderemos organizar vários jogos com este material, em que a criança nomeia e separa os blocos por atributos.
         A criança, com os blocos lógicos pode criar trabalhar em equipe e usar o raciocínio lógico para desenvolver problemas.
         Os Blocos Lógicos são abordados através de brincadeiras e jogos, com suas construções e regras e que possam contemplar interdisciplinaridade.
         É de fundamental importância compreender os objetivos propostos pelos PCN em relação à disciplina da matemática. No item de recurso aos jogos supõe um fazer sem obrigação externa e imposta, mas exige normas e controle.
Portanto ao se trabalhar com os Blocos Lógicos devemos estimular os jogos com regras, em grupo e acima disto estarmos preparados para os questionamentos, as problematizaçãoes.
3.2. Certezas Provisórias:
         Interagindo com os blocos lógicos, a criança encontra inúmeras situações para descobrir suas semelhanças e diferenças, observar na natureza e em objetos o formato das formas, conseguindo abstrair.
         A partir dos jogos, a criança se apropria de conhecimentos brincando tendo vontade natural de compreender e, por ser curiosa, são aspectos fundamentais para o entendimento de conceitos matemáticos.
         Os critérios pré-estabelecidos servirão como estímulos que ajudarão a criança a pensar.
         Com os blocos Lógicos, criar cenários após ouvir uma história, despertando a criatividade abstrai os conceitos das artes visuais como objeto de apreciação significativa e como produto cultural e histórico, previstos nos PCN.
         Como objeto de apreciação significativa verificamos no contato sensível com os Blocos Lógicos, em que a criança pode fazer um reconhecimento e analisar as formas visuais presentes na natureza e nas diversas culturas como, por exemplo: a forma geométrica de uma casa ou a forma geométrica de um prédio, o quarteirão de uma rua ou campo de futebol ou ate mesmo, a forma meio triangular das ocas indígenas e ainda a construção de um palhacinho em formas também geométricas.
         Em relação às artes visuais como produto cultural e histórico é levar o aluno a observar, estudar e compreender as diferentes obras de artes visuais, artistas e momentos artísticos produzidos em diversas culturas e em diferentes tempos da história. Como exemplo, depois da aplicação dos Blocos lógicos às crianças estarão preparadas para estudarem algumas obras de grandes artistas principalmente aqueles em que a figura geométrica ganha bastante destaque.
         Utilizando diversas figuras, recortá-las e fazer composição gráfica, num papel, pintando e criando uma cena desenvolve a linguagem oral assim como registrar numa folha quantas formas de cada tipo utilizou numa determinada atividade é também fazer uma tentativa de escrita, escrevendo o que se criou.
3.3. Conteúdos:
         Como vimos o manuseio dos Blocos Lógicos podem ser interagidos com outras disciplinas:
·        Matemática – conhecimento lógico-matemático, classificação, seriação, conservação, igualdade e diferença, lateralidade, orientação espacial, análise e síntese de critérios, situação-problema, comunicação de quantidades, utilização da linguagem na notação numérica, descobrindo diferentes procedimentos para resolver a questão em jogos com diferenças, de negação, dos pares e de inclusão.
·        Português: Linguagem oral ou escrita – Apropriando-se da nomenclatura, dos diversos atributos, elaboração, reconstrução, produção da escrita e leitura com função social, utilizando-se do conhecimento que dispõe no momento, participação em situações que envolvam a necessidade de explicar e argumentar suas idéias, organização em saber trabalhar com grupo, colocando o seu parecer na realização das atividades.
·        Artes Visuais – Possibilitando na produção artística com diversos materiais, desenvolvendo a psicomotrocidade na realização de diversas atividades, descobrindo que, com os blocos lógicos, pode-se construir diversos tipos de construção com as suas formas.
·        História e Geografia: Natureza e sociedade – Observando a natureza, os objetos que estão ao seu redor, abstrair as formas existentes possibilitando que cada criança se perceba como participante de um grupo, de uma instituição, de uma sociedade, apropriando-se dos conhecimentos que desenvolvem o raciocínio lógico, estando mais preparado para resolver problemas do cotidiano.
·        Educação Artística – Através dos jogos com os Blocos Lógicos, ao aumentar de tamanho as suas peças podemos obter vários jogos, brincadeiras ou outras atividades procurando adotar na criança, uma atitude cooperativa e solidária, sem discriminação aos colegas pelo desempenho ou por razões sociais, físicas, sexuais ou culturais.
3.4. Procedimento Pedagógico:
         Criando oportunidades constantes para desenvolver o raciocínio lógico da criança acompanhando todas as atividades realizadas pelas crianças, desafiando-as e interferindo todo momento que for necessário para a sua compreensão.
         Após dominar o material com os blocos lógicos, transferir para outros materiais concretos, para que a criança perceba outras formas estimulando o comportamento exploratório, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento.
3.5. Avaliação:
         Observação do professor em compreender o que as crianças estão produzindo sendo constante centrada na relação de diálogo.
Blocos Lógicos: Jogo ou Brincadeira?
4. Esclarecendo Dúvidas.
         Segundo Celso Antunes (1998) a palavra jogo provém de JOCU substantivo masculino de origem latina que significa Gracejo.
         Em seu sentido etimológico,  expressa divertimento, brincadeira, passatempo sujeito a regras que devem ser observadas quando se joga.
         A brincadeira como definiu Aurélio (2000) é o ato ou efeito de brincar, entretenimento, passatempo, divertimento.
         Como os Blocos Lógicos ao manuseá-lo expressa divertimento, brincadeira, jogo de regras eles podem ser definidos tanto como brincadeira quanto jogo. Dependerá apenas de que objetivos queremos alcançar para a aprendizagem do aluno, não descartando a possibilidade dos jogos e brincadeiras como estímulo ao crescimento  da lógica-matamática, uma astúcia em direção ao desenvolvimento cognitivo e aos desafios do viver.
Portanto, os Blocos Lógicos são jogos e brincadeiras pedagógicas porque são desenvolvidos com a intenção explícita de provocar uma aprendizagem significativa, estimulando a construção de um novo conhecimento e, principalmente, despertando o desenvolvimento de habilidades operatórias como a da lógica matemática.
4.1- Os Estímulos Lógico-Matemáticos, pelo manuseio dos Blocos Lógicos.
         Observamos que o desenvolvimento mental da criança, antes dos seis anos deve ser estimulado. Se tratarmos os Blocos Lógicos como uma brincadeira, ele representará tanto uma atividade cognitiva quanto social.
         Segundo Celso Antunes, através das brincadeiras ou jogos cognitivos as crianças exercitam suas habilidades físicas, crescem cognitivamente e aprendem a interagir com outras crianças. É nesta fase que devemos estimula-las com os blocos lógicos, por exemplo, pois desperta a idéia de maior e menor, largo e estreito, fino e grosso, frente e trás. Se devidamente estimulados, podem manipular grandezas de zero a dez e, eventualmente, transformar a percepção do símbolo que todo número representa em grandeza que sustenta seu valor. Podem compreender os conceitos simples de adição e subtração e já possuem noção de tempo e grandeza, percebendo horas interiras e meias horas etc.
         Por volta dos sete anos a criança já domina, ainda que tímida e progressivamente, os agrupamentos operatórios e assim descobre a habilidade da classificação, seriação e relacionamento. Para Celso Antunes essa possibilidade abre a janela da inteligência lógica-matemática para o uso dos sistemas de numeração, mas as crianças ainda não conseguem raciocinar por simples proposição verbal, necessitando de elementos concretos que lhe permitem manipular e fazer essas relações. É, pois, o grande momento para o uso desses jogos ou brincadeiras.
         Entre as inúmeras atividades propostas com os blocos de Dienes, que devem ser sempre intercaladas com outros jogos, vale a pena destacar:
·        Promover o reconhecimento do material, desenhando em uma cartolina branca ou papel sulfite figuras que podem ser cobertas pelos blocos com casinhas, trens, caminhões, sol e muitas outras. (anexos fotos e desenhos). Progressivamente os alunos ao estimulados a criar suas próprias figuras.
·        Estimular a classificação das pecas. Dividindo os alunos em grupos.
·        A terceira etapa visa estimular a composição e decomposição da pecas.
·        A quarta etapa estimula comparações simultâneas.
Essas atividades estarão representadas em anexo em Sugestões de Atividades.
4.2 –  Educação para a construção dos Blocos Lógicos
         Quando trabalhamos com as Inteligências Múltiplas, principalmente as que visam à estimulação pedagógica, nos depararam com vários questionamentos como, por exemplo, o investimento necessário para adquirimos materiais pedagógicos para uma turma de aproximadamente 40 alunos.
 Supomos que ao lidarmos com materiais pedagógicos, necessitamos investir financeiramente auto para adquirirmos bons resultados. Na realidade podemos reverter este quadro. Com um pouco de esperteza e criatividade podemos confeccionar o nosso próprio material e ainda torna a brincadeira ou jogo com os blocos lógico, prazeroso.
A educação para a construção dos Blocos Lógicos consiste especificamente em aproveitarmos materiais jogados no lixo como garrafas descartáveis, tampinhas de refrigerante, jornais e revistas, caixinhas de leite, de fósforos, tampas de Nescau, de Neston enfim uma gama de materiais recicláveis. O importante é formarmos o maior número de pecas que se aproximem das 48 compostas pelos blocos lógicos.
Como exemplos  citaremos  as tampas de Neston e Nescau. Poderemos formar os seguintes Atributos
·        Tampa (Neston)- forma circular, tamanho grande, espessura fina.
·        Tampa (Nescau)- forma circular, tamanho pequeno espessura fina.
Poderemos trabalhar da mesma forma com as caixinhas de fósforo.
·        Fósforo (grande)- forma retangular, tamanho grande, espessura grossa.
·        Fósforo (pequeno)- forma retangular, tamanho pequeno, espessura grossa.
E assim sucessivamente.
Notem que o custo é mínimo. Para trabalharmos com nossos alunos faz-se apenas dedicação e criatividade. Estaremos trabalhando não a lógica matemática em si, mas principalmente uma consciência crítica social (os lixos são recicláveis e devem ser reaproveitados).
Segundo os PCN de Matemática, ao final do processo educacional o aluno devera estabelecer conexões entre os temas matemáticos de diferentes campos e outras áreas curriculares. Neste sentido, se estamos trabalhando com materiais recicláveis estamos falando de meio ambiente, de homem e seres vivos, de ética, de pluralidade cultural, enfim estamos interdisciplinarizando com outras áreas do conhecimento.
Portanto, não precisamos de materiais caros, ao construírem o seu próprio material estará em contato com o novo, com o empírico para abstraírem a lógica-matemática. Estarão seguros da sua própria capacidade de construir conhecimentos matemáticos, desenvolvendo a autoestima e a perseverança na busca de soluções.
4.2-O Manuseio dos Blocos Lógicos exige preparo do professor.
         Todo jogo ou brincadeira Pedagógica deve ser acompanha de uma intencionalidade. Em relação aos jogos ou brincadeiras com os blocos lógicos, evidentemente o professor deverá conhecer diversas possibilidades de trabalho em sala de aula para que construa da melhor forma, a sua prática.
         Ao colocar o foco na construção da lógica-matemática pelos blocos lógicos se defende a idéia do professor ter uma postura de mediador levantando problemas, explorando não apenas as atividades em si, mas os seus resultados, definições, técnicas e demonstrações, como propõe os PCN.
         É preciso que o professor saiba que os jogo são objeto sociocultural em que a matemática está presente. Supõe um fazer sem obrigação externa e imposta, mas demanda exigências, normas e controle. Os Blocos Lógicos devem possuir um significado para que o aluno tenha possibilidade de compreensão, satisfação, formação de hábitos que estruturam o sistema lógico. É através desses jogos que perceberá regularidades tornando-se produtoras de linguagens, criadora de convenções, capacitando-se de regras e explicações.
         Percebem também que só podem jogar em função da jogada do outro e os desafios são genuinamente provocantes e prazerosos.
Os Blocos Lógicos como jogo ou brincadeira fazem parte da cultura escolar. Cabe ao professor planejar detalhadamente as aulas com metas a serem cumpridas. Deverá ter competência quanto ao desenvolvimento das atividades propostas, mediando e ao mesmo tempo avaliando as potencialidades adquiridas, principalmente o raciocínio lógico-matemático. Tornar estes jogos prazerosos não é muito difícil, mas, deverá fazer um diagnóstico diário para coletar dados e tomar decisões. Se houver falhas deverá rever o processo.
Em relação à interação do professor e aluno é de fundamental importância que ambos se reconheçam dentro do processo ensino e aprendizagem, para que o trabalho atinja 100% de aproveitamento.  Brincadeira por brincadeira pode levar o aluno à não ter reflexões. Jogo por jogo sem intencionalidade pode levar ao fracasso escolar. Daí a necessidade e responsabilidade que o professor tem em proporcionar alternativas diferenciadas tornando a disciplinada da matemática prazerosa através dos jogos ou brincadeiras com os Blocos Lógicos.
Pensar a realidade questioná-la, encontrar soluções para os problemas que nela existem, mesmo através de simples jogos como os blocos lógicos, exige uma forma de construção de conhecimento e ensinar diferente. O professor deverá então, recorrer aos grandes teóricos e pesquisar sobre a Filosofia, didática e psicologia para melhor orientar os seus trabalhos e atingir suas metas.
Portanto, o uso do pensamento lógico, da criatividade, da intuição e capacidade de análise crítica atende à função que possuem os Blocos Lógicos. Caberá ao professor saber identificar as características principais para a construção dessas habilidades.


5- Uma Prática Vivenciada que Mostrou Resultados Significativos.

A Instituição das Aldeias SOS Brasil/Poá, tinha como problemática a dificuldade por parte dos alunos pela disciplina da matemática e o despreparo dos professores em proporcionar jogos e brincadeiras que facilitassem o processo ensino/aprendizagem. (anexo: Aplicação do questionário).
Com a aplicação do Projeto sobre os Blocos Lógicos visando estratégias para uma melhor compreensão desta disciplina nos primeiros ciclos do ensino fundamental, respondemos aos anseios e perspectivas dos alunos desenvolvendo a autonomia, coordenação, a lógica matemática, a classificação, ordenação, correspondência, as propriedades e representações.
Assim as aulas foram conduzidas de modo a aproveitar os conhecimentos teóricos e práticos dos alunos, dando ênfase em aulas expositivas, trabalho e dinâmica em grupo. Utilizamos para este fim pesquisas bibliográficas como revistas jornais e livros didáticos além da comunicação via internet. Houve situações de debate proporcionando a busca de soluções comuns e a cooperação entre agentes do processo ensino-aprendizagem.
A interdisciplinaridade foi outro fator primordial. Trabalhamos a lógica matemática, não esquecendo a ciência, história, geografia, português, artes, educação física. Os Blocos Lógicos como jogos ou brincadeiras deram-nos esta criatividade.
A avaliação foi qualitativa possibilitando a transformação dos alunos em seres críticos, capazes de agir e interagir em sociedade. Nós como professores planejamos e refletimos para uma tomada de decisão consciente e participativa, etapa esta, fundamental para a análise da potencialidade adquirida do aluno ou não. Logicamente os testes e as provas como instrumentos avaliativos foram irrelevantes uma vez que trabalhamos com projeto, mas, demos lugar as observações (competência e habilidades) e a possibilidades de aproveitamento de idéias e pensamentos dos alunos.
Com a aplicação do projeto sobre os Blocos Lógicos desenvolvemos uma aprendizagem voltada na construção lógica da matemática, através das abstrações empírica e reflexiva demonstrando significativos resultados.
Nas primeiras semanas observamos que já sabiam separar as diferenças e unir as semelhanças, assim como a interpretação de textos montados pelos cenários com os blocos lógicos. No final das atividades já faziam muitos cenários diferentes e as interpretações dos textos possuíam vários detalhes.
Ao desenharem, demonstraram autonomia e raciocínio lógico. Classificavam segundo os seus atributos. Nesses desenhos percebemos os acertos e objetivos alcançados.
Ao dividirmos em grupos trabalhamos um dos pilares da educação o enxergar o outro, o respeito às regras, o raciocínio rápido e intuitivo, a relação.
Notou-se ainda que as cores, vermelho, amarelo, azul foi de rápida percepção. Os Blocos Lógicos foram considerados de maior probabilidade para alcançarmos as metas propostas. Ao mesmo tempo em que estimulou pedagogicamente, contribuiu para o raciocínio lógico rápido.
Assim sendo, os blocos lógicos em sala de aula foram poderosos veículos de aprendizagem, extrapolando suas ações educativas. Com esses materiais os professores, principalmente do ensino fundamental, interagiram as disciplinas com conteúdos de aperfeiçoamento das áreas afetivas, cognitivas e motoras em um contexto em que o aluno fez-se integrante do processo da aprendizagem.
Pela aplicação desse projeto percebemos ainda que o desenvolvimento das estruturas lógicas, do raciocínio lógico matemático está na capacidade de buscar alternativas diferenciadas por parte dos professores, que devem relacionar a matemática com o cotidiano do aluno, buscando a interação da realidade ao conteúdo.
Não podemos deixar de explicitar os valores e as atitudes que almejamos e conseguimos detectar no decorrer das atividades respeito, disciplina, esforço, paciência, amizade, atenção, coerência, capacidade de reflexão, perspicácia, iniciativa, exatidão, senso de realidade, perseverança, cooperação, objetividade, igualdade, exatidão, senso de realidade, perseverança, cooperação, objetividade, igualdade, auto  aceitação, espírito de equipe, ordem, calma e tolerância.
Portanto, os blocos lógicos são materiais simples, é verdade, mas podemos dar oportunidades significativas de conhecimento e abstrações. Nós professores sentimos uma grande contribuição desses materiais ao formar alunos críticos e comprometidos com o processo. O nosso maior mérito foi vê-los feliz ao entrarem para aula de matemática.

6- CONSIDERAÇÕES FINAIS
         Os Blocos Lógicos são materiais concretos lógicos cuja finalidade principal é a construção da lógica matemática, mas possui também atingirmos outros objetivos como, por exemplo, a interação do aluno com a realidade em que vive.
         Esses materiais podem ser considerados jogos ou brincadeiras desde que o mesmo tenha uma intencionalidade como o alcance de potencialidades do aluno.
         No trabalho com os Blocos Lógicos, o papel do professor é de orientador e mediador, encorajando os alunos a serem ativos e curiosos questionadores favorecendo desta forma, a interação social criando assim, condições ao seu desenvolvimento o mais pleno possível.
         Relevante será a aplicação dos Blocos Lógicos logo nos primeiros dias letivos. O professor deverá fazer um diagnóstico, observando a lógica matemática, a relação, à comparação, as suas dificuldades na disciplina, para que o processo educacional transcorra de acordo com os objetivos propostos.
         A aplicação dos Blocos Lógica proporcionou aos alunos, diferentes formas de linguagens como a corpora, a oral, escrita, plástica, apostando nas diferentes situações de comunicação, de forma a compreenderem e serem compreendidos, expressando suas idéias, necessidades e desejos, sentimentos e avanços na disciplina da matemática, enriquecendo cada vez mais as sua capacidades expressivas e lógicas.
         O tentamos foi demonstrarmos que os Blocos Lógicos não são materiais utilizados como pecas lúdicas, mas, uma condição favorável ao desenvolvimento lógico, algo que ampliou as suas capacidades de compreensão do mundo. Além disso, a disciplina da matemática é bela, alegra e embeleza o universo. Dela necessitamos para sermos felizes porque sem compreendê-la jamais poderemos, por exemplo, irmos ao supermercado, banco, brincar com jogos de contar, subtrair, somar. Não saberemos relacionar, sequenciar, abstrair a lógica matemática. Sua função é dar às crianças a chance de realizar as primeiras operações lógicas, como a correspondência e classificação. Nada mais singular do que iniciarmos com os jogos dos Blocos Lógicos.
         Observamos que enquanto os alunos jogavam ou brincavam com os Blocos Lógicos, estiveram em permanente contato com os fatores externos e conseqüentemente já nas primeiras semanas de sua aplicação, faziam as primeiras relações entre os objetos estudados.
Alguns relacionavam, por exemplo, a forma quadrangular com a sua casa. Outros relacionavam a forma circular com as rodas do carro ou bicicleta. Verifiquem como esses materiais são poderosos instrumentos interacionais.
Portanto, os Blocos Lógicos fazem os alunos abstraírem a Lógica Matemática. Não ensinam a fazer contas, mas, estimula a interação, a capacidade de solucionar problemas, a amar a disciplina da matemática observando a sua importância na vida.
Os Exercícios com os Blocos lógicos podem se estender por todo o programa do ano, sempre intercalados com atividades que empregam outro tipo de material didático, como o material dourado ou a escala Cursenaire.
 O importante é fazermos desses jogos algo criativo, prazeroso e uma poderosa ferramenta de abstração lógica.
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aberto a todos que apreciam a educação.........