quarta-feira, 8 de abril de 2015

A PEDAGOGIA HOSPITALAR COMO FORMAÇÃO E CONHECIMENTO









       Teve início em 1935, com Henri Sellier ao inaugurar a primeira Escola para crianças inadaptadas em Paris, mas seu marco decisório foi na Segunda Guerra Mundial quando muitas crianças ficaram debilitadas por mutilações, amputações dentre outras patologias.
     No Brasil, a legislação reconheceu pelo estatuto da Criança e do Adolescente Hospitalizado, através da Resolução nº. 41 de outubro e 1995 iten 9 - o “Direito da criança hospitalizada de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua Permanência hospitalar”.
        Em 2002 o Ministério da Educação, por meio de sua Secretaria de Educação Especial, elaborou um documento de estratégias e orientações para o atendimento nas classes hospitalares, assegurando o acesso à educação básica. A proposta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (MEC, 1996) é a de que toda criança disponha de todas as oportunidades possíveis para que os processos de desenvolvimento e aprendizagem não sejam suspensos.
        Na área sócio-política, A Pedagogia Hospitalar forma um profissional Pedagogo voltado para defender o Direito de toda criança e adolescente de serem iguais e com oportunidades respeitadas para todos. Como prática deste trabalho Humanista, necessário ter os olhos voltados para o ser global, e não somente para o corpo e as necessidades físicas, emocionais, afetivas e sociais do individuo.
         Como um de seus objetivos a Classe Hospitalar possibilita a compensação de faltas e devolve um pouco da normalidade para o aluno, ao realizar tarefas e provas além de objetivar a autoestima, a vontade de continuar seus estudos tornando-os mais felizes, amenizando suas dores e saudade do convívio familiar. O aluno hospitalizado precisará muitas vezes se ausentar da  escola por longos períodos.  
       Seus procedimentos também merecem destaque: Comunicação com a escola do aluno e obtenção do seu material didático. Apoio pedagógico na unidade hospitalar. Reforço se necessário das disciplinas. Relatório descritivo das atividades realizadas bem como do seu desempenho.
        Assim a Pedagogia Hospitalar passa a formar um novo panorama de ação para o Pedagogo, que ao sair dos muros escolares preconiza uma nova atuação em ambientes não escolares invalidando preconceitos e ideias de que se está apto para exercer suas funções apenas na sala de aula.
        O processo de ensino-aprendizagem é vivenciado não somente dentro da escola, mas é uma ação que acontece em todo e qualquer setor que se caracteriza como a sociedade do conhecimento, porque a educação formal e a não formal caminham paralelamente e torna a educação o principal instrumento contra a desigualdade social.
         O desafio desse novo profissional, ainda será motivo de grandes questionamentos. Trabalhar em ambientes não escolares não significa não ter o foco voltado à educação. Ao contrário, em todas as esferas, sejam elas humanísticas Biomédicas ou Tecnológicas o foco sempre será o “Conhecimento” a nossa arma mais poderosa como citam grandes pensadores. Ninguém tira o nosso conhecimento. Podem tudo nos roubar menos esta preciosa e singela arma.
        Diferentemente do que podem pensar alguns, o Pedagogo Hospitalar não se resume a conduzir dinâmicas de grupo e preparar material de treinamento para o qual as pessoas não estão engajadas ou enxergando uma necessidade imediata, mas necessariamente a produção e transmissão de conhecimento.
         Dentro deste novo cenário é necessário entendermos que a Pedagogia Hospitalar  requer muitos estudos porque formará profissionais que farão diferença  não apenas em escolas. A atuação deste Pedagogo deve ocorrer de forma sistemática, cooperando sempre com os outros profissionais principalmente da equipe multiprofissional dos Hospitais e/ou organizações não governamentais que atendam aos alunos em tratamento por longos períodos e impossibilitados ao convívio Escolar.
        Neste contexto hospitalar, o pedagogo poderá elaborar e consolidar planos, projetos e ações que visem colaborar para a melhoria da Classe Hospitalar bem como melhorar o desempenho do aluno, dos professores, da empresa, da organização em que este profissional está inserido. 
      A ética que esse profissional precisará defender na Educação Hospitalar é a humana, a que promove o desenvolvimento e tem como objetivo o bem estar dos alunos. Não basta aprender conceitos e discutir pontos de vista, é preciso também, mudar as atitudes, colocar os valores apreendidos em ação. É protagonizar o processo educacional sem negar a sua dinamicidade, os seus conhecimentos e qualidades, as falhas e fragilidade. Saber que ensinar, aprender é muito mais do que dar uma receita para ser desenvolvida sem erros: é antes de tudo ser referência diante dos problemas que a vida lhes impôs e impõe, principalmente em se tratando de alunos com diagnóstico de doenças graves ou não assumindo muitas vezes uma atitude de respeito, solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças e discriminações a estes alunos.
        Outro fator importante é saber que o ensino-aprendizagem dentro da Pedagogia Hospitalar não tem a função doutrinária e o papel deste Pedagogo passa a ser o de mediar, trazendo para a Classe Hospitalar várias posições sobre determinados assuntos, provocando o exercício da descentralização, a possibilidade de conhecer distintas opiniões e de formar a sua a partir das discussões e da análise dos aspectos positivos e negativos referentes a cada assunto.
      Portanto, a Pedagogia Hospitalar se volta para os valores humanos relacionados à vida, à liberdade e ao respeito mútuo ao próximo. Em nossa cultura, precisam prevalecer, não como algo que devemos obediência cega, mas conhecidos em sua dimensão histórica e geográfica para que possamos ter uma sociedade mais justa.
       Este é o principal objetivo da ética profissional dos educadores em nosso país, sejam em qualquer ambiente escolar ou não escolar e a eterna reivindicação por mudanças nas Políticas Educacionais Públicas.
     O Pedagogo Hospitalar tem a finalidade maior de transmitir o conhecimento de forma participativa fazendo um grande diferencial nas instituições com práticas de humanização, na busca por qualidade de ensino e vida aos seus alunos e/ou colaboradores.

























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